FLORESTAN FERNANDES |
AGÊNCIA
CARTA MAIOR - em 25/02/04
No dia 1º de março, será lançado o documentário
Florestan Fernandes - O Mestre, uma produção da TV Câmara
que mostra a trajetória do engraxate que se tornou um dos maiores
nomes da sociologia brasileira.
Para o professor Antônio Cândido ele foi o único
grande homem de sua Geração; o ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso fala do amigo com a reverência de um filho para
um pai, inclusive nas discordâncias; os ministros José
Dirceu e Luiz Gushkein lembram do político como dois discípulos
de sua conduta, acrescida de uma dose de pragmatismo; o ex-ministro
Jarbas Passarinho sustenta que discordavam ideologicamente, mas os unia
a afinidade intelectual; a professora Mirian Limoeiro sustenta que ele
fez da sociologia uma ciência; o deputado Ivan Valente fala do
marxista aberto a todas as discussões; seu filho, Florestan Fernandes
Júnior, lembra do eterno otimista. Todos estão juntos
no vídeo da TV Câmara que conta vida do engraxate, garçom,
professor, deputado, constituinte Florestan Fernandes, que fez da sua
vida uma verdadeira aula de coragem, persistência e coerência.
Durante 50 minutos de documentário, são percorridos os
caminhos mais duros da sua infância no Brás, por onde andou
carregando sua caixa de engraxate em direção ao centro
histórico e as portas dos grandes cinemas, ou subindo o morro
dos Ingleses, para entregar ternos nas mansões da burguesia paulista.
Trabalhava de garçom quando, aos 17 anos, resolveu cursar o que
na época chamavam madureza, hoje supletivo, para despontar quase
duas décadas depois na primeira geração de professores
brasileiros da USP. Quando morreu era considerado o maior sociólogo
brasileiro e uma referência internacional na sociologia. Florestan
Fernandes morreu vítima de dois erros médicos no Brasil.
Eleito duas vezes pelo PT, transformou-se em um ícone na Câmara
dos Deputados, sempre tratado de professor. Foi aluno de Roger Bastide
e Claude Lévi-Strauss, professor de Fernando Henrique Cardoso
e Otávio Ianni, colega de Antônio Cândido e Hermíno
Sachetta, com quem trilhou o trotskismo.
Suas primeiras grandes obras, das mais de 50 que publicou, foram sobre
a sociedade dos índios Tupinambá, tribo da faixa litorânea
praticamente extinta desde o século XVII. Elas se tornaram uma
referência para a sociologia em geral e para sua vida em particular.
Sobre sua formação escreveu:
"...descobri que o "grande homem" não é
o que se impõe aos outros de cima para baixo, ou através
da história; é o homem que estende a mão aos semelhantes
e engole a própria amargura para compartilhar a sua condição
humana com os outros, dando-se a si próprio, como fariam os meus
tupinambá".
Serviço:
Dia 1 de março - Faculdade de Filosofia da USP - às 20h
no Auditório de História e Geografia.
Dia 2 - Câmara dos Deputados - às 19h
A partir do dia 2, a TV Câmara passará a transmitir vídeo
nos seguintes horário: terça - 22h30; quarta - 20h; sábado
- 16h e 21h; domingo 15h e 20h.