| Lei
que cria Conselho Federal ainda pendente
de aprovação no Senado Federal
No
último dia 15 de abril, uma terça-feira,
os sociólogos brasileiros sofreram mais um sobressalto.
O nosso almejado projeto de Lei que cria os Conselho
Federal e Estaduais de Sociólogos em todo o país
– o PLC 120/01 de autoria do deputado federal
Aldo Rebelo (PCdoB/SP) – encontrava-se em votação
final no plenário do Senado e um requerimento
do senador Saturnino Braga, aprovado, remeteu esse PLC
de volta à Comissão de Constituição
e Justiça da Casa.
O referido senador nos informou posteriormente que ele
havia feito o requerimento quando estava no exercício
da liderança do PT no senado e a pedido da assessoria
da Casa Civil da presidência da República.
Este teria sido alertado pelos assessores que a matéria
teria o que se chama no legislativo de “vício
de origem”, ou seja, não poderia ser proposta
por um parlamentar, mas é uma atribuição
exclusiva do poder executivo. Ainda segundo conversas
que tivemos com o senador Saturnino, que nos afirmou
ter o maior apreço e admiração
pelos sociólogos e pela nossa profissão,
a tentativa de enviar para a CCJ seria dar um parecer
pela constitucionalidade do projeto de Lei e de forma
que quando chegasse ás mãos do Palácio
do Planalto, este ficaria com mais dificuldades para
vetá-la.
Pelas nossas argumentações, pensamos de
forma diferente do senador Saturnino, a saber:
1.
o projeto é absolutamente constitucional. Já
passou na CCJ da Câmara e lá foi aprovado
por unanimidade. Passou também na comissão
de Trabalho da Câmara e lá também
foi aprovado. Depois foi ao plenário e aprovado,
seguiu ao Senado, onde ganhou o número atual
de PLC 120/01;
2.
nos últimos anos, 8 conselhos federais foram
aprovados na câmara e senado, na sua maioria de
parlamentares e todos, sem exceção, foram
sancionados pela presidência da República.
Dessa forma, continuamos defendendo a imediata aprovação
desse projeto. É uma aspiração
da nossa categoria e da nossa profissão. Infelizmente,
e já emitimos essa opinião muitas vezes
anteriormente em artigos e debates, a nossa Lei de 1980,
que reconheceu a profissão, não incluiu
no seu bojo a criação do conselho federal,
como foi feito com todas as outras profissões
existente no país (mais de 40 são regulamentadas,
de nível superior e consideradas liberais, no
plano da CNPL). A liderança de nosso movimento
de sociólogos entre 1977 e 1980, auge da luta
pelo reconhecimento profissional, entendeu à
época que os conselhos não beneficiavam
a nossa profissão, eram corporativos, eram órgãos
do estado “burguês” (sic) etc. Nunca
concordamos com esses argumentos. Um grande equívoco.
Perdemos historicamente mais de 40 anos de história.
Não podemos nos esquecer que o deputado Aniz
Badra, em 1962, quando propôs pela primeira vez
o reconhecimento da nossa profissão de sociólogo,
previa a criação de um Conselho Federal.
Este nunca foi aprovado. O problema maior é que
a nossa Lei entregou o registro profissional aos funcionários
e burocratas das Delegacias Regionais do Trabalho nos
Estados – DRTs, vinculados ao Ministério
do Trabalho. Mas nunca conseguimos resolver o problema
da fiscalização do exercício profissional,
quem pode exercer a profissão, verificar se a
Lei vem sendo cumprida, abertura de concursos públicos,
código de ética profissional, realização
de pesquisas, criação de cursos de CS,
piso salarial profissional e tantas outras coisas mais.
Os sindicatos historicamente não existem e nem
foram criados para esse tipo de trabalho.
Praticamente apenas a nossa profissão e a dos
jornalistas persistem em não ter conselhos profissionais,
tal qual outras quase 40 já possuem. É
claro que sabemos dos problemas de muitos conselhos,
seus efeitos corporativos etc. Mas na fase que nos encontramos
hoje, onde necessitamos uma maior institucionalização
e afirmação profissional, num momento
onde os 65 cursos de CS não encontram-se ainda
em condições de ter uma articulação
nacional de maior fôlego que nos ajude a assegurar
entre outras coisas o próprio cumprimento da
Lei e o alargamento do mercado de trabalho, situação
essa vivida pelas dificuldades dos sindicatos também,
a existência de um conselho federal e de vários
regionais (englobando vários estados), nos ajudaria
muito. Um conselho que pudesse contar com personalidades
do meio acadêmico, da área de pesquisa,
da área sindical e associativa, enfim, com intelectuais
de renome como Octávio Ianni, Chico de Oliveira
entre outros, poderia nos ajudar e muito.
A batalha neste momento volta-se, mais uma vez, para
o parlamento. E ela se trava no âmbito da CCJ,
que deve votar o parecer do relator sobre a constitucionalidade
do projeto de Lei. O relator designado desde o dia 5
de maio é o senador Jefferson Peres, do PDT do
Amazonas. O senador é um dos parlamentares mais
combativos do sendo, muito atuante, amigo da luta dos
trabalhadores e da base de apoio do governo Lula. Pedimos
a todos os colegas que lerem esta matéria que
enviem uma mensagem (Cortez, elegante, polida) pedindo
ao senador que dê um parecer favorável
à constitucionalidade ao PLC 120/01 que cria
os Conselho Federal e Estaduais de Sociólogos
(em anexo o referido projeto original). O e-mail do
senador é jefperes@senador.gov.br e os telefones
de seu gabinete são 61-311-2061 e 2067.
Temos a plena convicção que o senador
dará seu parecer favorável e que a CCJ
seguirá o voto do relator. Dessa forma, o projeto
voltará ao plenário do senado –
esperamos que ainda neste semestre – e finalmente,
poderemos vê-lo aprovado no Congresso Nacional
o que o fará seguir para sanção
presidencial. Ai a batalha é outra e pediremos
ao presidente Lula que o sancione. Vamos à Luta,
compaanheiros!
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