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ARTIGOS DE SOCIÓLOGOS
6/7/2008
A importância de fortalecer nossa categoria e nossa entidade representativa

Danúbia Ivanoff *

Caros associados: esta carta pretende vos informar o porquê de se filiar ao Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo e quais são as vantagens e as necessidades em prezar pela categoria de sociólogo assim como os benefícios práticos que passam pelo intermédio do Sindicato para o filiado.

O Sinsesp existe desde 1985 e desde esta época vem buscado valorizar a categoria do sociólogo enquanto profissional liberal e legitimar a necessidade da presença deste profissional em muitos âmbitos da sociedade e do mercado de trabalho.

Recentemente o Sinsesp conseguiu – depois de uma luta de 11 anos – introduzir a disciplina de Sociologia no Ensino Médio. Esta conquista demonstra a preocupação do Sindicato no que tange a representação dos interesses de seus associados e da categoria no geral. Esta vitória permitirá maior ampliação do mercado de trabalho para o sociólogo e trará à sociedade melhor qualidade de vida e capacidade reflexiva e crítica. Só em São Paulo estimamos a criação de mais de três mil cargos de professor de Sociologia na rede estadual de ensino.

Muitas críticas foram feitas a respeito dessa esplendorosa conquista, críticas que partiram de alguns sociólogos e de não sociólogos que buscaram desqualificar a importância da presença do sociólogo na construção de um país mais humanizado e realmente democrático. Compreendemos que é este profissional que pode realmente refletir e entender conceitos tão disseminados por certos ramos da sociedade e das políticas sociais, conceitos estes como cidadania, inclusão social, solidariedade etc. que muitas vezes são utilizados apenas como fins propagandísticos, de marketing político e como camuflagem da acirrada desigualdade social.

Não nos deteremos aqui com a finalidade de responder aos insultos à nossa categoria e de nossa atuação na sociedade. O que importa vos dizer, caros associados, é o porquê de se filiar ao Sindicato de maneira que ele se fortaleça e o porquê de clamar por uma representatividade realmente eficaz.

Nós sociólogos e futuros sociólogos adquirimos a capacidade de analisar e diagnosticar os problemas sociais, econômicos, políticos e culturais, mas uma grande inquietação surge no momento em que pensamos: será que conseguimos nos visualizar, agora, enquanto objetos de análise e perceber os problemas que nossa categoria enfrenta perante a sociedade atual?

O que representa para nós vislumbrarmos tantos problemas e caos social, corrupção na política, nas relações de trabalho e sociais? Isso também é de se pensar. Porém não cabe aqui dizer a este respeito.

Parece-me que talvez as críticas perdurem a nosso respeito justamente porque já não temos mais a ânsia transformadora de tempos de outrora, talvez nos sentimos nós mesmos de mãos atadas perante tanta fragilização da possibilidade de mudança social, humana, intelectual, salarial de nossa própria existência.

Ora, o que pensamos ser um Sindicato dos Sociólogos? Mais uma entidade sindical como outra qualquer que quer nos representar? Não caros, não. Não devemos pensar assim, mas só sob a condição de que temos que nos fazer representar. Marx disse: “os homens fazem sua própria história, mas não fazem como querem”. Ora, não a fazem como querem porque se deixam levar por uma onda institucionalizada e petrificada que acham ser incapazes de mudar. Deixo claro que nosso Sindicato não tem este caráter.

O Sindicato dos Sociólogos representa seus filiados na medida em que estes se fizerem representáveis, na medida em que estes ajudarem a construí-lo de maneira democrática, organizada e participativa. Saibam, colegas associados (e futuros sócios), o Sindicato é aberto a todos e todas e busca expandir os horizontes dos que nele se filiam.

Temos que ter em mente a necessidade de nos valorizarmos, de entender que somos capazes de lutar por nossas necessidades enquanto profissionais, fomentadores e multiplicadores de uma sociedade mais justa. Para tanto temos que, repito, nos unirmos, reunirmos e nos fazermos objeto de análise perante nós mesmos, a fim de buscar dignidade no mercado de trabalho e perante os preconceitos daqueles que proliferam bobagens em detrimento de nossa categoria.

À parte isto, caros, vale lembrar que o Sindicato quer expandir seus interesses, quer de fato representar o maior número de sociólogos interessados na valorização da categoria. O Sinsesp mantém uma rede de contatos no Orkut, recebe artigos a fim de disseminar informação e conhecimento em sua página na Internet (www.sociologos.org.br) e, sobretudo, quer trazer para si uma comunidade sociológica ampla, vigorosa e com vontade de conquistas. Que fortalecer em todos nós, profissionais da Sociologia, uma forte consciência de categoria profissional.

Além disso, vocês poderão ver em nosso site iniciativas que se preocupam com o sociólogo e futuro sociólogo, ou seja, o Sinsesp viabiliza um link de classificados para ajudar o sociólogo na busca de emprego, trabalho, estágios; atualmente mantêm convênio com a Editora Escala onde os nossos associados recebem até dez livros quando assinam a revista Sociologia, onde dois de nossos diretores são colunistas e um é membro do Conselho Editorial. Temos convênio com a Editora Boitempo que concede até 40% de descontos para associados.

Brevemente será feito um convênio com a Faculdade UniNove para cursos de licenciatura plena em diversas modalidades, especialmente em Ciências Sociais (para quem já tem o bacharelado), em que o filiado terá descontos de 10% e poderá, assim, ampliar seu campo de trabalho dando aulas nas escolas.

É desta forma, caros associados, que pedimos que se aproximem, que se interessem em fomentar melhores condições e oportunidades para a categoria. Afinal não pode ter sido à toa ter recebido um diploma, ter estudado tanto e construído capacidade crítica em relação aos problemas da sociedade se não pudermos, efetivamente, intervir na realidade e de alcançar dignidade salarial, de campo de trabalho entre outras lutas mais.

Filiem-se.

* É estudante de Ciências Sociais pela PUC-SP e estagiária do SINSESP, atualmente está desenvolvendo uma pesquisa que trata, entre outras coisas, do papel das associações e do sindicato na inserção do sociólogo no mercado de trabalho. É educadora universitária pelo Programa Escola da Família em São Caetano do Sul onde realiza trabalhos de alfabetização para adultos e grupo de estudo em línguas junto ao Prof. Elie Boris Ivanoff. Artigo escrito em 17/6/2008.